Por Harutiun
Muradian
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| Muradian |
Descrever sobre o jogo de minha vida, eis uma difícil tarefa, pois
protagonizei jornadas de intensa emoção nas vitórias e as mais marcantes nas
grandes derrotas, elas permanecem ainda vivas em minha memória, mas a partida
mais recente que vivenciei de forma dramática, foi no Mundial 2009 em Budapeste
(Hungria), no dia 17 de maio de 2009.
Fui participar dessa competição com o propósito de chegar entre os 4
finalistas, pois os brasileiros eram imensamente superiores aos europeus. Na
fase classificatória enfrentei o Toninho De Franco, numa mesa que prendia
bastante os botões e fizemos um jogo sofrível. O jogo se arrastava para um
final de 1 x 1, quando fiz um gol na campainha e venci a partida, por pura
sorte. Os jogos que fiz com o Toninho sempre foram arrastados e sofríveis.
Mas a partida dessa competição inesquecível foi com o próprio Toninho
nas semifinais da competição, já que ele conseguiu vencer o Tadeu do
Corinthians, um dos favoritos do torneio na prorrogação, nas quartas-de-finais.
O jogo com o Toninho foi na mesma mesa que ele tinha vencido o Tadeu, tentei
recomendar outra mesa para as semifinais, mas a organização do torneio
confirmou a mesma mesa. Então, fui lá confiante para enfrentar o Toninho,
esperando que pudesse fazer uma partida digna do status da competição. A saída
coube ao Toninho e usei a mesma tática que sempre faço com ele, já que ele
havia empatado com o Tadeu em 5 x 5 e vencido na prorrogação.
A tática defensiva surtia resultado, pois o Toninho errou os seus
primeiros ataques. No contra-ataque fiz 1 x 0 e na metade do primeiro tempo,
peguei outro contra-ataque, passando pela linha burra, já próxima ao alambrado,
fui dar o 10° toque para ajeitar o chute, foi quando o botão travou grudado a
bolinha. O Toninho, não tinha nenhum botão para estourar a bolinha, mas jogou
um botão que ficou a uma bolinha de distância do meu botão... deu-me vontade de
xingar, pois tinha feito a jogada direitinho e o botão foi travar justo nessa
hora... bem não me restou outra alternativa que pedir ao gol. Era um chute de
ponta próximo ao alambrado com a bolinha grudada no meu botão e um botão
adversário bloqueando a possibilidade de tentar derrubar o goleiro adversário.
Ele colocou o goleiro cravado em baixo da trave. Chutei com tanta força, que a
bolinha se “materializou dentro do gol”, entrando por cima do goleiro, um
verdadeiro “bingo”. Notei o semblante do Toninho estarrecido pelo gol e ele
teve dificuldades de voltar ao jogo. Depois deste gol, qualquer bola que
apontava de perto ou de longe era gol. O placar final apontou a minha vitória
por 7 x 1, mas o gol de “bingo” desmantelou qualquer poder de reação do
Toninho.
Depois dessa partida, fiz a final com o Quinho, do Palmeiras, perdendo
por 3 x 2 o título do meu 1° Campeonato Mundial de Futebol de Mesa.
Fonte:
Boletim “Vai Pro Gol” nº 85, de outubro de 2009.

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