domingo, 12 de janeiro de 2020

MEU TIME DE BOTÃO: G. E. Flamengo, de Adauto Celso Sambaquy


O meu primeiro time de botão era formado por jogadores que pertenciam ao Grêmio Esportivo Flamengo, de Caxias do Sul (RS). Com ele iniciei a minha caminhada em 1963, ao disputar o meu primeiro campeonato de futebol de mesa na AABB, de Caxias do Sul.
Depois de completadas as sete rodadas que compunham o turno final, o G. E. Flamengo e o E. C. Pelotas, de Paulo Luís Duarte Fabião, terminaram empatados no primeiro posto. Foi necessário um jogo desempate e a partida terminou com a vitória do Flamengo, por 2 x 1, ficando o título com o tricolor caxiense, após brilhante campanha invicta.
O time que eu coloquei na mesa era o quadro campeão caxiense de futebol de 1947, cuja fotografia eu havia ganhado.
Sempre tive muito orgulho daquele time, pois conhecia todos os jogadores e era amigo de alguns deles.
O goleiro era o Ary Hoffmann, nascido no natal de 1926, em São Francisco de Paula. Ele chegou a jogar no Juventude em 1943, em 1944 no Grêmio Leopoldense, vindo posteriormente para o Flamengo. Ganhou dois títulos citadinos.
Os zagueiros eram o Ariosto Azambuja, um vacariano que começou a jogar pelo E. C. Brasil, daquela cidade, e Ary Detânico, oriundo do Pombal (da várzea), e que também possuía dois títulos da cidade.
O lateral direito era o Manuel Duarte (Dadá, apelido igual ao meu), que era porto-alegrense e veio do S. C. Internacional. O lateral esquerdo era Armando Mano, também de São Francisco de Paula e que começou sua carreira jogando pelo Riograndense, da várzea de Porto Alegre. Em 1945 atuou no S. C. Internacional e de lá veio para o Flamengo.
O centro médio era o cerebral Mário Machado, natural de Cachoeira do Sul e havia jogado no G. A. Eberle, um jogador que conseguia jogar macio e sempre estava com a bola.

O ponteiro direito era o Flávio Vieira (Chicão), tio do meu amigo Rudy Vieira. Chicão começou a jogar no Az de Ouro, em 1945 e em 1946 jogou no Juventude e de lá para o Flamengo. Nestor Ruggeri (Alemãozinho) era o ponteiro esquerdo e nasceu em Novo Hamburgo, começando a sua carreira no E. C. Floriano, atuando pelo Juventude de 1943 a 1946, vindo em 1947 para o clube grená.
Wilson Paulo Escobar (Zizinho) era, junto com Machado, o cérebro do time. Nasceu em Porto Alegre e começou jogando no São Lourenço, da várzea, depois jogou pelo Internacional vindo finalmente para Caxias, defender o Flamengo. Sady Costamilan era o ponteiro esquerdo e caxiense, como seu irmão Lady Costamilan, meio campo, começaram no G. A. Eberle, em 1943, passando para o Pombal em 1945 e desde 1947, no tricolor caxiense. Rodrigues Paim (Pavãozinho) era o reserva da ponta direita. Walter Penha, que também começou no S. C. Internacional era reserva da defesa. Com ele o Higino Detânico, irmão do Ary, que também jogava no meio campo.
Ainda contava com o Natalino Viecelli (Passarinho), natural de Campos Novos e que jogou no Tupy, da várzea e de lá se transferiu para o Flamengo.

O bonito de tudo isso é que a gente conhecia todos os jogadores, encontrando-os pela cidade. E assim foi por muito tempo.
Eu conseguia transferir para os botões a minha admiração por aqueles jogadores amadores, que defendiam o meu clube do coração. Acredito que foi uma época em que podíamos sentir a emoção de ser treinadores de gente que víamos jogar todos os domingos.
Essas são coisas que podemos sonhar, por que o futebol de mesa nos permite.
Bons tempos e bons amigos que só o futebol de mesa consegue conservar.
Depois desse Flamengo, eu modernizei outras equipes. Sempre com jogadores tricolores.

Fonte: A Coluna de Adauto Celso Sambaquy, de 21 de fevereiro de 2011.


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